O governador Jaques Wagner sabe que os aliados de verdade, independente de qualquer acidente de percurso ou do toma-lá-dá-cá, são o PT, PCdoB e o PSB.
Os outros partidos, principalmente o PMDB do ministro Geddel Vieira Lima, são parceiros circunstanciais, portanto não-confiáveis quando o assunto em pauta é o legítimo projeto de reeleição do petista.
Se o governo estiver bem avaliado em 2010, aí todos são Wagner desde criancinha. Do contrário, vão fugir do petista como o diabo da cruz.
Apostando que fará um bom governo, Wagner acerta quando busca o fortalecimento da aliança com a incorporação do PP, partido de 38 prefeitos, vários vereadores, cinco deputados estaduais e três federais.
O próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE), depois de decidir que o mandato pertence ao partido e não ao candidato eleito, começa a se preocupar com a ditadura partidária.
A instância máxima da Justiça Eleitoral, sabendo do autoritarismo dos chefões da política, que se auto-intitulam proprietários vitalícios dos partidos, tem acolhido pedidos para mudar de legenda.
A perseguição e a mudança programática são exceções favoráveis a quem quer trocar de agremiação partidária. São elementos que, se comprovados, podem influenciar na decisão do magistrado.
Em relação ao PR de Itabuna, com a cúpula estadual pressionando o vereador Roberto de Souza a votar pela aprovação das contas do prefeito Fernando Gomes (DEM), ainda não há uma perseguição do tipo implacável e ameaçadora.
Agora, caro internauta, uma perguntinha mais do que pertinente: Tem mudança programática pior do que votar a favor das contas do prefeito Fernando Gomes, eivadas de irregularidades insanáveis?
Quando se perde um importante aliado (ou não acredita mais nele), a primeira atitude, até mesmo por uma questão de sobrevivência política, é buscar um outro para substituí-lo. Como o PMDB do ministro Geddel Vieira Lima caminha para a oposição, o governador Jaques Wagner se aproxima cada vez mais do PSDB. O PMDB, por sua vez, procura o DEM do ex-governador Paulo Souto, já que considera o PT como “persona non grata”.
O jornalismo político não é fácil. Não se comenta o vestido da moda, a dondoca mais bonita da festa, os arranjos do cabelo (com ou sem peruca), os rega-bofes e os confetes coloridos da sociedade.
O personagem principal é o político, o homem público que, quase sempre, exerce o poder pensando que é superior a tudo e a todos.
Depois de Salvador e Feira de Santana, respectivamente o maior e o segundo colégio eleitoral da Bahia, a sucessão de Itabuna é a que provoca mais atenção na cúpula estadual do DEM, presidida pelo ex-governador Paulo Souto.
Deu no Jornal Nacional: meia dúzia de alunos subnutridos, pés descalços, sem carteiras, sentados em bancos rústicos ou no chão, e naturalmente sem merenda
Falem o que quiser do governador Jaques Wagner, mas não diga que o chefe do Executivo estadual é autoritário, centralizador e mandão, um inimigo da democracia e do diálogo.